Existem livros que conseguem transportar o leitor para outros mundos, e existem aqueles raros casos em que esse mundo parece realmente vivo, gigantesco e antigo, como se existisse muito antes de abrirmos a primeira página.
O Castelo de Lorde Valentine, escrito por Robert Silverberg e publicado originalmente em 1980, pertence claramente a essa segunda categoria.
A trilogia de Majipoor é definitivamente uma das melhores que já tive o prazer de ler, embora ainda hoje continue à procura do último livro desta saga.
Conheci este fantástico mundo através do segundo livro, que irei mostrar no futuro, mas assim que viajei pelas épocas e pela história destes continentes fabulosos, fiquei completamente apanhado.
Quando mais tarde encontrei, numa feira da ladra, ambos os volumes dO Castelo de Lorde Valentine publicados em Portugal na Colecção Argonauta em 2003, não hesitei em adquiri-los.
O romance decorre em Majipoor, um planeta colossal onde convivem humanos e várias raças alienígenas, misturando fantasia, ficção científica e até um ambiente quase onírico.
Curiosamente, apesar de existirem tecnologias avançadas, grande parte do livro possui uma sensação medieval e aventureira, como se estivéssemos perante uma gigantesca epopeia de fantasia clássica.
A história acompanha Valentine, um homem que acorda sem memória da sua identidade e que rapidamente se vê integrado num grupo de artistas ambulantes.
À medida que viaja através das vastas regiões de Majipoor, começa lentamente a descobrir fragmentos do seu passado e, enquanto se apercebe de que talvez exista algo profundamente errado no mundo que o rodeia, nós, enquanto leitores, também vamos descobrindo um universo cheio de maravilhas, mistério e, claro, intrigas.
Valentine torna-se o nosso guia.
Acompanhamos a sua jornada enquanto descobre que está preso num corpo que não é o seu, ao mesmo tempo que o seu verdadeiro corpo foi ocupado por um usurpador.
Nós estamos ao seu lado, observando este mundo pelos seus olhos e lutando com ele pelo regresso ao lugar que legitimamente lhe pertence, como uma das mais altas figuras governantes do planeta.
Mais do que apostar em batalhas constantes ou em acção desenfreada, Silverberg prefere construir lentamente o universo, apresentando cidades exóticas, criaturas estranhas, culturas diferentes e paisagens capazes de transmitir uma verdadeira sensação de escala.
É precisamente essa construção do mundo um dos maiores pontos fortes do livro.
Majipoor não parece apenas um cenário criado para servir a narrativa.
Parece um lugar com história, tradição e milhões de vidas a decorrer em simultâneo, muito para além das personagens principais.
Outro aspecto interessante é a forma como o autor mistura elementos de fantasia com conceitos típicos da ficção científica.
Existem castelos, reis, labirintos e viagens quase medievais, mas também sonhos controlados telepaticamente, raças alienígenas e vestígios tecnológicos espalhados pelo planeta.
O resultado é uma obra difícil de encaixar num único género, e talvez seja exactamente isso que a torna tão memorável.
Apesar de ter sido publicado há várias décadas, O Castelo de Lorde Valentine continua a ser frequentemente recomendado entre os fãs de ficção científica e fantasia, especialmente para quem aprecia mundos ricos em detalhe e aventuras mais contemplativas do que puramente explosivas.
Não é um livro que dependa de reviravoltas constantes ou de um ritmo frenético.
O verdadeiro encanto encontra-se na viagem, na descoberta gradual de Majipoor e na atmosfera quase sonhadora que acompanha toda a narrativa.
E talvez seja precisamente por isso que continua a ser lembrado, mantendo-se um dos meus favoritos tantos anos e leituras depois. :U:
E por agora é tudo. 8)
Até breve. :-F
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