Achei este livro quase por acaso no outro dia ao procurar algo para reler, nem me lembrava que o tinha. =D
Mas ainda bem que assim foi porque reler E. E. “Doc” Smith nunca desilude. :)
Este livro comprei-o numa feira de usados há uns valentes anos, lá pelo meio dos anos 90 do século passado, principalmente por ser do “Doc” Smith, que considero um génio, muito à frente do seu tempo!
Já mostra bem o peso dos anos e as vezes que foi lido e manuseado.
Publicado pela primeira vez no formato de fascículos em 1931, e em livro no ano de 1947, e embora não seja parte da Série Portadores da Lente ou Lensman, nem mesmo pertencente ao mesmo universo, partilha algumas denominações, tais como a Terra ser chamada de Tellus, Vénus e Marte serem habitados por espécies nativas, e existir uma Aliança Interplanetária.
Na verdade, até acho este livro mais interessante com a sua abordagem mais contida ao nosso sistema solar em vez duma epopeia galáctica.
Agora sendo um livro escrito na primeira metade do século passado, não se pode negar que a “ciência” não é lá muito elaborada, as personagens são algo unidimensionais, sem grande profundidade e personalidade, mais adequadas aos tempos em que foram escritas e, pelos padrões actuais, mais de acordo com a fantasia do que com a ficção-científica.
Mas apesar disso, com todos os erros na ciência, especialmente na planetária, com planetas e luas habitáveis com vida alienígena por todo o lado, com os diálogos e expressões agora tão antiquadas, não deixa de ser uma leitura divertida tipo Steampunk, ou talvez Dieselpunk, no espaço. 8)
A verdade é que para melhor o apreciar, este livro, Os Caçadores do Espaço ou Spacehounds of IPC, precisa de ser lido com o conhecimento da época em que foi escrito e sem fazer juízos de valor considerando valores actuais.
Dessa maneira, vais poder desfrutar da viagem a bordo do luxuoso IPV Arcturus e viver uma grande aventura pelos diversos mundos do nosso Sistema Solar.
Os Caçadores do Espaço foi publicado por cá em 1985 no número 337 da Colecção Argonauta da editora Livros do Brasil, com tradução de Eurico Fonseca.
Algo que notei, e que em parte também existe na série Lensman, é como “Doc” Smith nos apresenta uma espécie de ditadura benevolente como forma de governo.
Acho interessante como alguns autores da primeira metade do século passado anteviam um governo mundial, mas neste livro, “Doc” Smith vai ao ponto de mencionar que foi o uso de armas atómicas que possibilita a unificação do mundo.
Os nossos protagonistas são Percival “Steve” Stevens, matemático extraordinário e um dos arquitectos do IPV Arcturus, capaz de construir um salva-vidas com destroços e fita-cola.
E Nádia Newton, rapariga desenrascada e uma grande ajuda para o MacGyver do espaço, e como não podia deixar ser num livro desta época, acaba por ser também o interesse amoroso do moço.
Claro que como um bom romance de aventuras tem que ter vilões, neste caso são os Jovianos de Júpiter que atacam e destroem o IPV Arcturus logo no segundo capítulo, capturando a sua tripulação e passageiros, mas ambos os jovens conseguem escapar num destroço que os leva para Ganímedes.
Naufragados nesta lua de Júpiter, vão precisar de se servir de todos os seus conhecimentos e habilidades para sobreviver enquanto tentam construir algo que os possa levar para a segurança da civilização.
Agora nesta parte precisamos de nos lembrar que quando este livro foi escrito ainda não havia muitos conhecimentos confirmados sobre o que existia fora do nosso planeta e isso ainda permitia aos autores de Ficção-Científica sonhar com as possibilidades.
Assim, o afortunado duo encontra em Ganímedes, um mundo verdejante e cheio de vida animal, muito parecido a algumas regiões da Terra, e onde podem recuperar as forças e planear os próximos passos para escapar dos misteriosos atacantes e avisar a coligação interplanetária do perigo que corre.
Sem querer divulgar muito para não estragar a diversão de quem não conheça o livro e o queira ler, passam-se meses e enquanto trabalham para se salvar, os dois pombinhos apercebem-se que estão apaixonados.
E após mais algum tempo, finalmente conseguem sair de Ganímedes em direcção a um cometa onde esperam encontrar os restantes materiais que necessitam para construir um meio de enviar um sinal para pedir ajuda.
Nas proximidades do cometa são novamente atacados por uma nave do mesmo género da que atacou a Arcturus, mas desta vez são salvos in extremis por outra nave que se vem a revelar ser da maior lua de Saturno, Titã.
Embora a tripulação da nave salvadora seja amigável, pertence a uma espécie que não pode suportar temperaturas elevadas e até a mera presença dos dois terrestres é-lhes prejudicial.
Quero aqui mencionar que uma das coisas que gosto nos trabalhos de E. E. “Doc” Smith é a riqueza e diversidade que ele incute nas diversas espécies alienígenas que cria.
E estes seus Titanianos são um excelente exemplo disso. :)
Apesar das diferenças e entraves que poderiam impedir ambas as espécies de conviverem, os Titanianos querem auxiliar o jovem casal a regressar a casa, e quem sabe entrarem numa cooperação mútua benéfica para ambas as espécies no futuro.
Após algumas aventuras junto dos Titanianos enquanto reparam e melhoram a sua nave com a tecnologia de Titã, os dois jovens regressam a Ganímedes para usufruir da estrutura que lá deixaram e conseguirem enviar um pedido de ajuda para a Sirius, a nave onde viajam os dois mentores de “Steve” Stevens, que lhes envia todos os dados que tem sobre os atacantes, as suas armas e defesas, bem como sobre os Titanianos e a sua tecnologia.
Enquanto a Sirius é modificada para enfrentar as temidas naves jovianas e se apressa para resgatar os dois jovens, é altura de perguntar o que aconteceu com a Arcturus e os seus passageiros.
A última vez que os vimos iam sendo rebocados para um destino desconhecido, sem qualquer hipótese de escaparem.
Bem... a salvação vem aos seu encontro trazida por uma nave de Calisto, uma das luas de Júpiter, que ia numa missão desesperada e provavelmente suicida e que ao deparar-se com o que restava da Arcturus, resgatou os seus passageiros para segurança antes de voltarem a ser atacados.
Os Calistonianos revelam então que estão envolvidos numa guerra contra uma outra espécie joviana, os Hexanos, que possuem seis membros e como o nome indica, têm uma aparência hexagonal, e que foram estes Hexanos que atacaram os terrestres.
Ficaram também a saber que além destas duas espécies, existe ainda uma terceira espécie desconhecida que raramente era vista fora de Júpiter, mas que também está em guerra com os Hexianos.
Como os terrestres são mais resistentes, auxiliam os Calistonianos no combate aos seus inimigos comuns e em poucos embates, dizimam praticamente os Hexianos em todas as luas de Júpiter.
Mas eis que quando parecia que a vitória estava ao alcance dos Calistonianos, os Hexanos surgem com uma super-nave que facilmente derrota e captura uma das naves de tripulação mista terrestre-calistoniana.
Felizmente é nesta altura que chega a modificada Sirius, preparada para o combate e capaz de enfrentar qualquer coisa que os Hexanos possam ter criado.
Após algumas peripécias, o pessoal da Sirius começa a recolher os terrestres desterrados, enquanto resolve investigar quem é a terceira espécie joviana, e se podem ser amigos.
Descobrem assim os Vorkuls, uma espécie alada com uma aparência reptiliana que vive no escaldante Polo Sul jupiteriano.
No momento em que observam os estranhos Vorkuls, eles estão no estágio final dum plano que demorou duas gerações a concretizar para finalmente eliminar os Hexanos do espaço Joviano.
Mas apesar de derrotados, os malignos seres com seis membros conseguem capturar uma nave dos seres alados, que utilizam num ataque vingativo contra a Sirius.
Quando os humanos se apercebem que quem os persegue são Hexanos, contra-atacam, derrotam os vilões, e ainda conseguem salvar um Vorkul ferido, que assim que recupera as forças, é devolvido aos seus.
Com o espaço Joviano em paz, a Sirius reboca o que resta da Arcturus para o seu destino inicial, Marte.
E assim termina este livro saído da pena de E.E. “Doc” Smith há quase um século, mas que apesar disso, ainda consegue nos entreter e divertir nos dias de hoje.
Não quero terminar o artigo sem deixar algumas ligações onde podem descobrir mais sobre Spacehounds of IPC e o seu autor:
- Spacehounds of IPC
- Touring the Solar System: Spacehounds of IPC by E.E. “Doc” Smith
- Spacehounds of IPC by E. E. Smith
- E.E. “Doc” Smith Books In Order
- E.E. Smith
- The E. E. “Doc” Smith Group
- nº 337 - Os Caçadores do Espaço
E para terminar, como curiosidade, deixo aqui um pequeno vídeo com seis factos referentes ao livro Os Caçadores do Espaço:
E por agora é tudo. ;)
Até breve. :-F
Comentários
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