Stephen King não é nem nunca foi um dos meus escritores favoritos.
Pronto, já o disse.
Primeiro, porque sempre o vi como um dos mestres do terror e esse nunca foi um género que me interessasse, tanto na literatura como em outros meios.
Acho que já temos tanta coisa assustadora na vida real que dificilmente alguma inventada pode superar.
Isso não significa que eu não tenha conhecimento sobre o género, muito pelo contrário, há algumas obras de terror que acho fascinantes.
Simplesmente não é algo que me atraia particularmente.
Agora que definimos a minha situação em relação a Stephen King, posso afirmar que foi com certa surpresa que comprei o livro mencionado neste artigo.
Lembro-me que o comprei através do Círculo de Leitores, e fiquei curioso exactamente porque desconhecia esta incursão do mestre do terror no reino da fantasia.
Isso, e porque gosto de dragões. :D
Escrito para a sua filha, e assim lhe dedicado pelo autor, Stephen King afasta-se aqui dum campo conhecido e entra num reino fora da sua área habitual. Apesar de não ser o género habitual do autor, neste Os Olhos do Dragão, Stephen King consegue criar um mundo misterioso e interessante que nos arrebata e prende da primeira à última linha.
A arte presente neste livro da autoria de David Palladini é algo que também merece admiração, sendo perfeita para o conto que ilustra e ajudando a definir todo o ambiente pretendido.
Desde a capa às ilustrações no interior, todos os desenhos foram pensados em detalhe para ajudar a contar a história.
Mas não pensem que apesar de escrito para ser um conto de fadas que não tem o seu pingo de drama e horror, incluindo um momento “Here's Johnny” talvez inspirado do filme The Shining.
E como qualquer outro conto de fadas, também não se livra de alguns clichés...
Mas vamos conhecer alguns dos personagens:
- Tem no Rei Roland, um rei que faz o possível para ser bom, embora seja fraco, quasi-impotente e talvez assexual.
- Como vilão está Flagg, o semi-imortal e malévolo feiticeiro da corte, e a voz que controla o rei.
- Depois temos a Rainha Sasha, uma jovem e inocente nobre trazida por Flagg para ser a mãe do herdeiro do reino.
- E no herdeiro da coroa temos Peter, primogénito do Rei gerado após uma caçada a um dragão onde o Rei comeu o coração da besta como manda a tradição.
- Thomas, o segundo filho do Rei, é apresentado como um usurpador sob a manipulação do vilão, tendo sido concebido após o monarca ingerir uma poderosa poção elaborada por Flagg.
O príncipe carrega a culpa pela morte de Sasha, ocorrida no momento do seu nascimento. - Ben Staad é o amigo de infância de Peter, disposto a enfrentar qualquer obstáculo para lhe prestar auxílio.
- Como o temível, embora justo, juiz supremo, temos Anders Peyna.
- E, por fim, apresentamos Naomi Reechul, uma jovem que aparece no decorrer da narrativa para apoiar Ben na sua tarefa de libertar Peter.
Escrito como se fosse uma narração, como se o escritor estivesse a partilhar algo que tivesse presenciado, Stephen King criou um universo bastante pessoal, como evidenciado pelos nomes de alguns personagens, com o objectivo de nos contar algo que possamos ler para nossos filhos antes de dormir.
Embora escrito em pequenos capítulos seguidos, acho que podemos dividir a história em três grandes actos:
- Inocência e Infância
É aqui que somos apresentados á maioria dos personagens desta história, quando ainda julgamos estar a ler um conto de fadas igual a qualquer outro.
Além disso, é neste acto que nascem os dois príncipes que vão ser determinantes em toda a história que vamos ler. - Crime e Julgamento
Um crime é cometido e um inocente é tramado.
Após o caso ser levado a tribunal, é julgado e condenado a passar o resto da vida preso numa torre. - Esperança e Redenção
Amigos unem-se para repor a verdade e auxiliar o legítimo Rei a voltar ao trono.
E pelo caminho outros encontram maneira de redimir-se.
E para terminar, como curiosidade, deixo aqui um pequeno vídeo onde alguém usou a IA para recriar uma versão de alguns personagens do livro Os Olhos do Dragão:
Confesso que não gostei nada da interpretação que a IA fez dos personagens.
A começar por a Naomi ter uma aparência infantil quando ela já está nos vintes no momento em que surge na história.
Podia continuar e enumerar tudo o que me desagrada com o que a IA fez, e no futuro pretendo escrever o que penso deste assunto, mas também acho que é muito difícil transpor para a realidade aquilo que imaginamos ao ler um livro.
Assim deixo que cada um de vós que já tenha lido o livro diga nos comentários de vossa justiça sobre este assunto. :D
E por agora é tudo. ;)
Até breve. :-F
Comentários
Malta, comentem, tanto críticas como elogios serão bem-vindos. E eu respondo, não prometo quando mas respondo.
Mas antes de comentarem, leiam as minhas Regras dos Comentários.
Se quiserem deixar o link para o vosso sitio, utilizar alguns estilos ou até inserir videos ou imagens nos comentários DEVEM mesmo ler as indicações nas Regras dos Comentários.
Caso prefiras comentar numa nova janela, ou se o formulário abaixo estiver nos dias ruins, podes clicar aqui.
Enviar um comentário