Quando se fala em Superboy, a maioria dos leitores pensa automaticamente na versão juvenil do Super-Homem da DC Comics.
No entanto, existiu também um outro Super Boy, completamente independente e sem qualquer ligação ao universo do Homem de Aço.
Segundo algumas fontes foi a então esposa de Robert Bagage, o fundador da editora Impéria, que assinava com o pseudónimo Schwarz, quem criou o personagem com os desenhos a cargo de Félix Molinari, a pedido do próprio Bagage, para incluir na revista Super Boy, que embora viesse a ser publicada desde 1949, não apresentava nenhuma série com esse nome, publicando histórias de humor e aventura.
O personagem Super Boy fez a sua estreia na edição nº 112 da revista, em Dezembro de 1958, e foi assim que este obscuro herói francês de ficção-científica se tornou um dos primeiros verdadeiros super-heróis da banda desenhada francesa.
Ao contrário dos super-heróis tradicionais americanos, Super Boy não possuía poderes sobrenaturais.
As suas capacidades provinham inteiramente da tecnologia criada pelo seu tio Matt, um cientista e inventor responsável pelo famoso cinto-foguete que lhe permitia voar.
O herói actuava numa Terra ligeiramente futurista, enfrentando gangsters, cientistas loucos, invasores extraterrestres, viajantes do tempo e até super-vilões ocasionais, numa mistura constante entre ficção científica e aventura clássica.
Visualmente, a personagem destacava-se pelo seu aspecto retro-futurista: fato vermelho, capacete com viseira transparente e equipamentos tecnológicos que reflectiam a visão optimista que os anos 50 tinham do futuro.
Curiosamente, a série nasceu numa altura em que os super-heróis dos comics americanos praticamente tinham desaparecido dos quiosques franceses devido às restrições e censura impostas às publicações juvenis da época.
Para evitar problemas com os censores, os autores procuravam dar uma explicação “científica” para todos os feitos do herói, evitando elementos sobrenaturais ou identidades secretas demasiado fantasiosas.
Apesar do enorme sucesso que alcançou em França durante décadas, Super Boy acabou gradualmente eclipsado pelo regresso massivo dos heróis da Marvel e da DC nos anos 70.
Ainda assim, a série resistiu até 1986, alcançando mais de 400 números publicados — um feito impressionante para uma personagem europeia do género.
Hoje, Super Boy permanece uma curiosa cápsula do tempo da ficção científica europeia do pós-guerra: um herói ingénuo, optimista e profundamente marcado pela imaginação tecnológica da sua época.
Quando era gaiato, costumava ler várias revistas de banda desenhada, e uma delas era a Condor, que na altura publicava as aventuras do personagem em Portugal.
Rapidamente se tornou um dos meus favoritos, fazendo questão de comprar as revistas sempre que traziam alguma aventura do Super Boy.
Assim, quando comecei a dar os primeiros passos na arte da fotomontagem, foi um pulo até fazer uma imagem com o personagem em versão feminina, como era moda no Heromorph.
Ainda verde e sem saber bem o que fazia, tinha tudo para correr mal: a escolha da imagem de referência era muito pequena e pixelizada, de fraca qualidade e, olhando agora, com uma pose e até uma escolha de modelo totalmente erradas para o personagem.
Mas com o entusiasmo de aprender e pôr em prática o que ia descobrindo, lá fiz uma imagem que publiquei no meu antigo blogue em 22 de Agosto de 2007.
E no outro dia, ao limpar alguns ficheiros, deparei-me com essa obra-prima da minha inexperiência e resolvi ver o que a IA conseguiria fazer para a melhorar.
Acontece que nem a IA conseguiu fazer grande coisa daquela salgalhada, o que me levou a tentar criar uma imagem a sério do Super Boy, no que se tornou a imagem deste artigo.
Entretanto, como curiosidade histórica, quero aqui deixar tanto a minha versão original como a versão melhorada pela IA, juntamente com o que escrevi aquando dessa publicação em 2007:
O Super Boy francês em versão feminina.
Este era um dos meus personagens favoritos na minha infância.
Mas apesar de todos os defeitos que esta fotomontagem tinha, continuo a gostar bastante dela pelo que aprendi ao trabalhar nela. :)
E já agora, para quem quiser conhecer melhor este Super Boy francês, deixo abaixo algumas ligações interessantes sobre o personagem:
- Super Boy (bande dessinée française)
- Super Boy
- Super Boy (2e série)
- 285 covers for Super Boy (Impéria, 1949 series)
- SUPER BOY
- Super Boy
- Super Boy (Revue Impéria 1ère série)
- Félix Molinari
- Editions Imperia
E para terminar, aqui está um vídeo com uma análise ao Super Boy, entre outras coisas:
E por agora é tudo. 8)
Até breve. :-F



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