Tantas vezes prometido em alguns dos meus mais recentes artigos neste blogue, aqui está finalmente o que penso sobre a IA: a sua função, as possibilidades, as vantagens e desvantagens, e os perigos da sua utilização abusiva e descuidada.
Como já devem ter reparado, em algumas das últimas imagens deste blogue utilizei a ajuda da IA na sua construção.
Não vejo a IA como substituto para o ser humano, mas sim como uma ferramenta que pode ajudar-nos a alcançar determinados objectivos mais facilmente.
E tal como qualquer outra ferramenta, tem as suas vantagens e desvantagens.
O importante é sabermos aproveitar aquilo que ela tem de útil e, ao mesmo tempo, conseguirmos identificar e corrigir alguns dos erros que produz.
Basicamente, o importante é não colocar a IA num pedestal como se fosse algo infalível e aceitar tudo aquilo que nos oferece como estando correcto.
Temos de ter sempre noção de que, quando utilizamos este tipo de ferramentas, existe a necessidade de verificar, corrigir e adaptar muita coisa.
Por exemplo, de certeza que já repararam em algumas imagens criadas por IA onde aparecem mais dedos, braços, ou outros apêndices fora do normal.
Às vezes essas criações são absurdas, engraçadas, ou completamente bizarras e inaproveitáveis.
Mas atenção que o contrário também acontece.
Se pedirem à IA para colorir ou melhorar uma imagem, por vezes ela remove detalhes importantes ou altera elementos essenciais da imagem original, podendo muitas vezes, em fotografias antigas, perder-se algo de relevância histórica no processo.
No meu caso, raramente peço à IA para criar uma imagem completa.
Faço a maior parte do trabalho manualmente, e aquilo em que normalmente utilizo ajuda da IA é apenas para acrescentar algum realismo, sobretudo na figura principal.
Dessa maneira, torna-se mais fácil corrigir alguns dos erros produzidos pela ferramenta e manter maior controlo sobre o resultado final.
Uma outra razão pela qual comecei a usar a IA em algumas imagens deve-se às leis que entretanto surgiram e restringem a utilização de imagens de terceiros, e sejamos sinceros, na maior parte das vezes é exactamente isso que acontece na construção de fotomontagens, mesmo naquelas onde já não se reconhece a origem das imagens utilizadas.
Embora, nesses casos, a lei muitas vezes já não se aplique, porque o resultado final acaba por ser uma imagem totalmente nova, sem qualquer relação evidente com as várias partes que lhe deram origem.
Cheguei a ter CDs cheios de imagens para fotomontagens, fosse pelas poses ou simplesmente para referência.
As noites que passei à procura da imagem com a pose mais adequada para a visão do que pretendia criar... e mais ainda à procura da face perfeita para determinada personagem.
Mas muito provavelmente irei ter de passar algumas fotomontagens que tenho publicadas neste blogue pela ferramenta da IA, não com o objectivo de melhorar as mesmas, mas sim para disfarçar as faces, para que deixem de ser exactamente iguais às figuras que originalmente quis que representassem as respectivas personagens, e assim evitar vir a ser obrigado a removê-las.
Mas a IA já não está presente apenas nas imagens.
Já está presente na guerra, nas finanças, na saúde, no atendimento ao cliente, e até na política já ouvi falar de um país que ponderava colocar uma IA como responsável por uma pasta governativa.
E agora começam também a surgir cada vez mais protótipos de robôs controlados por IA destinados a realizar tarefas domésticas básicas, como cozinhar, limpar a casa e outras actividades do dia-a-dia.
Suponho que, mais cedo ou mais tarde, ainda veremos uma espécie de androides e bonecas sexuais controladas por IA.
É a ficção-científica a tornar-se realidade diante dos nossos olhos.
Vivemos mesmo em tempos de mudança, e isso é algo que pode ser fascinante e aterrador ao mesmo tempo.
E para quem cresceu a ler ficção-científica durante tantos anos, é impossível não pensar em certas obras e autores que há décadas imaginavam cenários semelhantes.
Ainda no outro dia lembrava-me dos androides do romance A Torre de Vidro de Silverberg, e de como algumas dessas histórias começam lentamente a parecer menos distantes da realidade.
Curiosamente, no mês passado, Pedro Santana Lopes abordou ao de leve alguns destes temas no seu artigo de opinião publicado no jornal Correio da Manhã:
O Mundo está muito complicado. Quase parece que uma qualquer desconhecida força quer dar cabo do Mundo em que sempre temos vivido. Dar cabo ou substituir, transformar quase radicalmente. Na verdade, um processo, que dizem estar ainda no início, que culminará na ocupação do espaço dos humanos por robôs humanoides.
[...]
Pela minha parte, tenho procurado, desde há anos, estudar, ouvir, ler, falar sobre esses novos desafios, apoiado, principalmente, em pessoas especialmente preparadas nessas matérias.
[...]
Lembro-me de várias reuniões, e até programas de televisão, em que levei especialistas e quase ninguém tinha paciência para os ouvir. Por exemplo, em 2019 e 2020, falar sobre blockchain, criptoeconomia, inteligência artificial.
Também utilizo a IA para me ajudar em algumas codificações quando fico bloqueado, embora mais como ferramenta de apoio do que como solução definitiva.
A vantagem é que estas ferramentas têm acesso a uma quantidade absurda de informação já publicada algures na Internet, enquanto muitas vezes, quando procuramos ajuda manualmente, nem sequer sabemos exactamente onde procurar ou quais os termos certos para encontrar determinadas respostas.
Claro que, sendo apenas uma ferramenta, é sempre preciso verificar, ajustar e adaptar aquilo que nos é apresentado para obtermos realmente o resultado que pretendemos.
E no caso das imagens criadas ou melhoradas por IA, isso ainda se torna mais importante, porque na maior parte das vezes as imagens precisam de vários retoques e correcções antes de chegarem ao resultado final que idealizámos.
No entanto, com a velocidade a que a IA está a evoluir e com a forma como está a ser implementada um pouco por todo o mundo, acredito sinceramente que muita coisa vai mudar mais depressa do que imaginamos.
Até já apareceu um robô gerido por IA a ser ordenado monge num templo budista na Coreia.
Para quem lê ficção-científica há tantos anos como eu, este estado das coisas não me surpreende totalmente.
Mas com várias vozes a começarem a mostrar preocupação com o tema, incluindo o Papa Leão XIV, espero sinceramente que alguém, no meio do entusiasmo da corrida a desenvolver esta tecnologia, ainda se recorde das famosas 3 leis da robótica de Isaac Asimov.
E por hoje é tudo. 8)
Até Breve. :-F

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