Pai, hoje farias 83 anos. 🎂
Faz hoje 3 anos, 1 mês e 13 dias que apanhaste o último comboio para fora deste plano de existência...
E faz agora um ano desde a última vez que te desejei um feliz aniversário.
Um ano em que fizeste muita falta, e em que muitas vezes foi difícil cumprir o que te prometi...
No outro dia alguém me perguntou porque não assinalo o dia em que nos deixaste para ires para junto dos avós e restantes
ancestrais...
A resposta é simples: prefiro celebrar a tua chegada a este mundo do que chorar a tua partida.
E para mim, tu nunca partiste.
Continuas junto de mim, nos conselhos que me davas, nas conversas que tínhamos, nas coisas que me ensinaste, e principalmente nas memórias que guardo.
Não se passa um dia sem me lembrar de algum dos conselhos que me davas.
Seja quando vou a conduzir e, ao voltar para casa, me recordo das tuas palavras quando tirei a carta e fui buscar o primeiro carro que comprei — foste o primeiro pendura — e me disseste: nunca devemos sair da nossa mão a menos que haja perigo para a nossa vida.
Outro dos conselhos que me deste, ainda eu era um miúdo desajeitado que nem sabia o que queria ser, foi sobre brincar com quem não conhecemos: se não aguentarmos que gozem connosco, não devemos gozar com os outros.
E tantas coisas mais que me ensinavas enquanto andava a guardar o gado na serra contigo...
Lembro-me de quando te perguntei sobre Deus: Deus está em todo o lado, podemos falar com Ele em qualquer lugar.
Sobre os palavrões: não faz mal dizer um palavrão se for no calor do trabalho, é uma palavra como qualquer outra.
Errado é quando essas e outras palavras são usadas com a intenção de ofender e denegrir alguém.
Sobre o assunto da moda nestes tempos conturbados: existem pessoas boas e pessoas más em todo o lado, não importa de onde venham, se são brancos, pretos, amarelos, vermelhos ou cor-de-rosa.
Não devemos julgar alguém pela aparência mas sim pelas acções; trata-as como queres que elas te tratem e tudo correrá bem.
Sobre a família, tanto tu como os avós sempre me ensinaram que deve vir em primeiro lugar, mas ao qual, em anos mais recentes, acrescentaste: a menos que só nos tragam dores de cabeça.
Nesse caso, para bem da nossa paz de espírito, é melhor que se mantenham afastados.
Não se passa um dia sem sentir a tua falta, mas ajuda quando reparo em algo que me recorda de ti.
Seja quando passo por algum lugar onde tenhamos estado, quando faço algo que me tenhas ensinado ou quando alguma coisa corre bem e só ao chegar a casa me apercebo de que já cá não estás para te contar as novidades...
E é ali, naqueles breves momentos em que me esqueço que já não estás entre nós, nesses meios milissegundos, que o vazio que deixaste desaparece e sou feliz como quando era gaiato.
Feliz aniversário, velhote.🥳 💙🍷✨
Nem imaginas como as saudades apertam em certos dias, como a tua falta continua a ser sentida e os teus conselhos necessários.
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